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React: A verdade feia sobre motos customizadas (e qualquer projeto gearhed)

 

Esse artigo visa discutir a partir do mais recente vídeo do FortNine sobre o lado ruim sobre motos customizadas.
O vídeo é muito bacana — mesmo que a metade dele seja um merchandising zoado de uma garrafa d'água cara — e tem uma trilha sonora excelente no final, fazendo com que valha muito a pena ser assistido!
Segundo o YouTuber, ao tentar recriar uma moto, por vezes acaba-se por piorar o veículo, pois soluções meticulosamente pensadas por engenheiros de fábrica são alteradas por adaptações caseiras e não necessariamente técnicas. Projetos de customização radical frequentemente sacrificam o conforto e a usabilidade em nome da estética, resultando em suspensões desconfortáveis, fiação confusa e perda de praticidade no mundo real. No fim, gasta-se muito dinheiro e tempo para descaracterizar uma relíquia que nem é mais fabricada, quando o caminho mais inteligente e financeiramente viável seria apostar em uma restauração original ou em modificações sutis que respeitem e valorizem a engenharia de fábrica.
Uma coisa é fato: gasta-se dinheiro e energia e, às vezes, o resultado fica uma merda!
De fato, a customização nem sempre é um processo fácil. Há muita experimentação, erros e estresse, seja com soluções difíceis de implementar ou com o próprio customizador. São histórias que a gente vive, ouve ou conhece de perto.

Porém, o fato é que nada é tão preto no branco assim. Desde os anos 1940, a cultura de modificação de veículos surgiu com muita força: das Bobbers e Hot Rods às Cafe Racers e, posteriormente, às Choppers, sempre se buscou uma fuga do marasmo através das subculturas gearheads. Ou seja, se todos os veículos fossem mantidos 100% originais, a cena seria entediante, praticamente uma repetição de mais do mesmo.
CB 400 (provavelmente II): Chassi original, admissão original; banco, tanque e paralamas modificados. Um projeto facilmente reversível e com um ótimo resultado visual.
Motos da Royal Enfield se prestam muito bem para customizações simples e sem muita dor de cabeça
Essa CB 750, uma das minhas favoritas, tem uma pegada de projeto de garagem, sem radicalismos. Cortaram apenas um pedaço pequeno do chassi (algo facilmente reversível) e utilizaram peças que não custam o olho da cara.
Na minha percepção, projetos simples como aí de cima, são excelentes formas de manter o espirito vivo: Modificações mínimas, custos controlados e mais experimentação. Mais ou menos como foi o espirito bobber nas suas origens.

Na minha percepção, projetos simples como esses são excelentes formas de manter o espírito vivo: modificações mínimas, custos controlados e mais experimentação. Mais ou menos como era o verdadeiro espírito bobber em suas origens. Ou seja, hoje em dia me preocupo menos com projetos de exibição, exposição e matérias no Bike EXIF, e mais com a diversão do processo, gerando o mínimo de dores de cabeça possível. Retornando ao vídeo, o "amargor racional" do apresentador do FortNine, na minha visão, é um pouco infundado. Até pela beleza das cenas iniciais da produção, toda a "treta" de se criar um projeto customizado já se paga.