Ferrugem & Gasolina

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Reflexões sobre o "Built, Not Bought"

 

"Esse vídeo recente do Petrolicious sobre a Ground Level Garage foi muito bacana e vai ao encontro do que penso sobre o movimento custom, motos e carros antigos, preparação, grana e atitude. Mas primeiro, vamos assistir ao vídeo para contextualizar o raciocínio.

Esse rolê apresentado pelo vídeo me lembra muito de como o movimento Cafe Racer ressurgiu como cultura. Em sua época de baixa, ele era muito associado ao movimento 'faça você mesmo' e ao punk, para só depois, aos poucos, ganhar tração nos anos 2000 e 2010.
Com a popularização, como sempre acontece, o movimento acabou engolido pelo mercado: tanto por customizações maravilhosas (e caras!!!) quanto pela indústria, que se ligou e passou a oferecer motos prontas para qualquer um que curta o estilo, sem as dores da customização (outro dia falo sobre isso!)
Triumph foi a pioneira nesse revival, por mais que a Royal Enfield desde sempre produzisse motos clássicas

E onde pretendo chegar com esse papo?

Não vejo nada de errado no fato de termos opções de motos clássicas direto de fábrica; isso facilita muito a vida hoje em dia. Também não há problema algum com brinquedos feitos para a classe média, ricos e super-ricos. Mas vejo uma beleza única no 'Built, not bought' (Construído, não comprado), que foi a gênese de tudo no movimento Cafe Racer original e no seu ressurgimento. Com o passar do tempo, essa facilidade proporcionada pelo mercado traz um certo tédio, e o estilo, em algum momento, declina.
com a vanguard afiadores, suas facas ficam afiadas

Não basta ter dinheiro, é preciso personalidade.

Acredito que, além de grana, precisamos valorizar projetos — tanto nos carros como nas motos — com alma, e não apenas a questão financeira. Quando o mercado pasteuriza a estética e vende a rebeldia em parcelas no cartão, o movimento perde o sentido. O tédio do 'perfeito e sem esforço' inevitavelmente nos empurra de volta para a garagem.

Porque, no fim das contas, e por mais que customizar um veículo não seja para todo mundo, a verdadeira sofisticação não está em quanto o projeto custou, mas na coragem de colocar a mão na massa para construir algo que tenha a sua cara. A máquina só ganha alma quando reflete a atitude de quem a pilota. No fundo, o que realmente encanta são as coisas que se conquistam com tempo, suor e personalidade — coisas que dinheiro nenhum no mundo é capaz de comprar.